quinta-feira, 7 de abril de 2011

Você tem Fome de Quê? Você Tem Sede de Quê?

Contrariando a filosofia deste blog, que é ser leve e divulgar textos e coisas que acho legais, decidi faz um post diferente.
Creio que todo mundo já sabe o que aconteceu no Rio de Janeiro hoje, assim como todo mundo já sabe dos problemas sérios que o Japão está enfrentando, principalmente o rolo que anda o tal vazamento das usinas nucleares, que mais desinforma e apavora do que outra coisa. No caso do Rio foi a imbecilidade humana a causadora de tudo. No Japão, um casamento entre processo natural e falta de cuidado com algo perigoso, cuja segurança deveria ser 1 milhão de vezes maior do que a necessária.
Não quero falar sobre as duas situações, mas sobre a reação à elas. Fico chocada com as matérias que saem on-line com links que dizem: clique aqui para ver os mortos, para ver sangue, para ver tristeza.
O que é isso? Já não basta saber que a situação é feia, tem que ficar inundando os olhos com a desgraça alheia também?
Dizer que o drama vende, é chover no molhado; vende porque tem quem compre e se as pessoas não pararem de comprar, o fornecimento de aberrações será cada vez maior. Pedaços de corpos, guerras, sangue, violência, desgraças, tragédias, absurdos. E o povo vai lá olhar! Isso é doentio.
Uma sociedade saudável é solidária e se ajuda em momentos de dificuldade, agora ganhar dinheiro em cima da morbidez alheia, e ainda pior, alimentar esta morbidez com videos, fotos, cenas de gente chorando e se rasgando toda, de dor, de desespero, dá licença! Não há respeito, há briga pela audiência, por acessos, por vendas. Quanto maior a audiência, mais publicidade e portanto, mais dinheiro em caixa.
Sei que a liberdade de imprensa garante à midia o livre veicular do que bem entender, mas ela só veicula aquilo que as pessoas querem ver. É a cobra mordendo o rabo, o círculo vicioso e deprimente da falta de senso.
Isso sem falar das impressões negativas que as imagens deixam no subconsciente das pessoas, na sensação de insegurança que geram nos mais impressionáveis, no medo que, por fim, acaba presente de forma surda e constante nas atitudes de todo mundo.
Dantesca e bestial, esta fome e sede de tragédias deixa bem claro o grau de patologia em que vivemos. A solução? Não ver, não comprar, não usar a tristeza alheia para fazer a própria catarse, que de outra forma não se tem tutano pra conseguir.
Lamentável!



Fnte da Imagem: pecademissaoevatrabalhar.wordpress.com/.../08/

6 comentários:

»☾« Lana Hawk »☾« disse...

Putz.. você sintetizou tudo que eu remoí durante o dia de hoje.

Sabe, moro em bangu, bairro vizinho ao ocorrido, e vi uma movimentação estranha de helicópteros enquanto esperava meu ônibus, liguei para casa para alertar minha mãe de não ir para aquela região e ela estava assistindo a notícia na TV. Deprimente. Lamentável.

Sei que as pessoas ficam chocadas, tristes, realmente abaladas, mas também sou terminantemente contra o que a imprensa faz. Infelizmente não existe mais a pura e simples informação, a coisa ficou tão descontrolada que passar a informação e fazer sensacionalismo se tornaram sinônimos. E o pior de tudo, o que causa mais frustração, é saber que na verdade não podemos culpar exclusivamente a falta de escrúpulos dos meios de informação, pois eles apenas refletem o desejo mórbido da maioria da população.

Triste. Lamentável. Deprimente. Repugnante. São apenas uma pequena amostra do que eu sinto ao ver que uma tragédia é comentada pelas rodinhas de amigos como aquele filme que ganhou o Oscar.

Como diz o ditado, pimenta no olho dos outros é refresco... é muito fácil tratar a desgraça alheia de uma forma tão displicente, explorar o sofrimento e invadir a privacidade.

Esta parte da "humanidade" me choca.

Beijo grande pra você, neste dia triste..

Laura Elias disse...

Oi, Andreza.
Faz parte da natureza da midia noticiar, o que me enoja é a exploração descarada da tragédia sem que vc veja um voz contrária, alguém que diga: basta!
Eu heim!

Beijo!

Marcia disse...

Concordo em genêro, númro e grau, a liberdade de expressão está ultrapassando os limites do bom senso nessa busca desenfreada e totalmente desnecesária pelo ibope.

A minha única forma de dizer BASTA é jamais me prender a qq. noticiário, aliás na TV de uma maneira geral, são poucas coisas q hj se salvam.

Laura Elias disse...

Oi, Marcia, então somos duas. Mal vejo as notícias, olho as manchetes aqui no UOl e pronto. Se alguma interessa, daí clico pra ver. O que acho um crime é que muita gente não tem TV a cabo pra fugir das barbaridades e a TV aberta sacrifica a audiência com este culto ao mórbido. Nada contra noticiar os fatos, mas tudo contra viver da desgraça alheia.

Bjão!

Duachais Seneschais disse...

Cruzes, parece que as pessoas bebem disso, se alimentam... Por todos os canais, por todos os sites que se passa, há links, vídeos, imagens. Sei o que aconteceu, choro e lamento muito tudo que aconteceu, até onde tudo está chegando, mas não sei o bem que pode trazer ficar olhando repetidamente as imagens, anunciando repetidamente o método, os detalhes de um crime... de forma doentia... Acho que é como vc disse, a sensação de insegurança aumenta, o pavor, a desconfiança, nossas mentes e nossos corações acabam ficando carregados disso, pesados...

Bia Machado disse...

Às vezes tenho dúvidas a respeito de sermos mesmo civilizados...=(