sexta-feira, 13 de maio de 2011

RED KINGS - Livro 3 - Primeiro Capítulo.

Oi, pessoal! Atendendo aos muitos pedidos dos muitos leitores que mandam mail, lá vai o primeiro capítulo do terceiro livro, começando com uma das melhores do Metallica, penso eu.
Fiquem à vontade para reproduzir, citar e indicar em seus blogs e páginas.
Espero que gostem e que o Blogger permita a postagem..rs.

Beijos!



Dizem que para se chegar ao céu é necessário, antes, passar pelo inferno. Tudo o que posso dizer é que quando realidade e sonho se confundem, viver se torna muito perigoso….

CAPÍTULO I

Something's wrong, shut the light, (algo está errado, apague a luz)
Heavy thoughts tonight (pensamentos pesados esta noite)
And they aren't of snow white (e eles não são sobre a branca de neve)
Dreams of war, (sonhos com guerra)
Dreams of liars, (sonhos com mentirosos)
Dreams of dragon's fire, (sonhos com o fogo dos dragões)
And of things that will bite (e (com)  coisas que mordem…)
(Enter Sandman – Metallica)

Eu mal havia feito 18 anos e a frágil trégua já se desvanecia. Não havia paz, não havia paraíso. Minha vida mergulhara nas sombras vermelhas de criaturas assassinas que não poupam, respeitam ou consideram. Não havia mais vida para mim, apenas morte. Sonhos dourados de princesa, dias ensolarados onde o mundo era apenas um lugar onde se nascia e morria em paz, estavam todos mortos.
Este era meu estado de ânimo enquanto esperava por Alice, suas palavras ressonando em minha cabeça feito um tambor agourento. Lizandra morta, Nick morto. Quem seria o próximo?
Meus pais? Bill? Eu?
Há muito desconfiava que eu não fosse normal. Nenhuma pessoa que tivesse ao menos um pingo de ponderação aceitaria tudo o que eu vinha aceitando nos últimos meses sem fugir, enlouquecer ou ter uma crise emocional qualquer. Minha cabeça e coração não funcionavam como funcionam na maioria das pessoas. Talvez eu tivesse algum retardamento, alguns desses déficits modernos que os psicólogos vivem inventando. Talvez precisasse ser internada e tomar uns choques para voltar ao normal. Mas, o que era normal em um mundo onde vampiros, rovdys, aguras, heks e pessoas que se transformam em animais não são frutos da imaginação?
Sentada no escuro em nossa salinha sem graça, os pensamentos se amontoavam feito pilhas mal construídas, ameaçando desabar a qualquer momento, soterrando-me em um delírio sem fim. Sentia o coração disparado e lutava para não chorar. Duas pessoas que amava haviam morrido em nome de algo que desconhecíamos, vítimas da dramaturgia pesada dos rovdyrs. Ódios, mágoas e vingança, esta era a realidade deles. E agora, a minha também.
Pensava em Simon e em Christian, imaginando como eles deveriam se sentir naquele momento. E em Nick, sempre tão amigo e solidário, o mais rápido do clã, o mais positivo de todos. E tão fiel a Bill! Amigo até o fim, até a morte.
Vindos do quarto, os roncos de meu pai chegavam até mim como uma balada de vida, um sopro de cotidiano, de esperança. Mas até quando?
Perdida que estava em meus próprios labirintos, não percebi a demora de Alice. Morávamos perto, já teria dado tempo dela ir e vir umas dez vezes desde que me ligara. O que havia acontecido, Alice também estava morta? Apavorada com este pensamento, liguei de volta.
- Que foi, Megan? – perguntou com a voz carregada de sono.
- Onde você está?
- O que você acha?
- Mas... Você não está vindo pra cá?
- Não... De onde tirou isso?
Eu contei.
- Ah, não! É o tal Sebastian outra vez!
- Tem alguém aqui! – sussurrei.
Meus instintos apurados captavam movimento, captavam tensão, perigo e sangue. E isso surgiu do nada, sem que eu ao menos me desse conta.
- Quem? – perguntou ela.
- Não sei, vou ver. É uma sensação, uma coisa que não sei explicar direito...
Alice desligou sem me deixar terminar. E se não o tivesse feito, eu não teria mais condições de falar. O ar a minha volta tornou-se pesado, sufocante. Eu sentia, eu percebia, mas não havia nada ali para ser visto. Era apenas uma presença, uma onda que sugava o ar, espalhando o cheiro da morte. Eu lutava para respirar, para manter a lucidez, mas não consegui.
Imagens embaralhadas de corpos, sangue, gritos, gargalhadas e orgias invadiram minha mente afastando qualquer tentativa de manter o controle sobre meus pensamentos. Eu sabia que ia morrer. Pouco importava se eu podia me transformar, se era parte rovdyr e parte vampira. Eu ia morrer.
Mais uma vez, eu ia morrer e daquela feita, não havia ninguém para me salvar. Senti que afundava em um oceano negro de águas grudentas, caindo e caindo. E lá, perdida para sempre na escuridão do abismo, ele surgiu. Seu sorriso de marfim brilhava na escuridão. Suas presas eram longas e afiadas, seu porte altivo. A voz era suave e parecia vir de longe, trazida por um vento que não existia. Eu sabia quem era ele.
- Carmichael – disse em pensamento.
- Rainha – respondeu ele.
- Megan. - disse eu.
- Megan –  ele repetiu. E repetiu, e repetiu mais uma vez. Sua voz de fumaça tornava-se mais nítida a cada “Megan” que dizia.
Eu pedi para ele parar, mas o som só aumentava e eu me senti sendo puxada do oceano negro por uma força poderosa.
- Megan! Megan olhe pra mim, preste atenção à minha voz!
Simon? O que Simon estava fazendo dentro da minha morte? E por que ele e não Bill? Era um sonho?
- Megan! Por favor, fale comigo, abra os olhos!
Eu abri. Por um momento tudo estava branco, mas isso era apenas o contraste com a escuridão de onde saíra. Todas as luzes estavam apagadas e embora me parecesse que Simon gritava, ele apenas sussurrava para mim, minha audição apurada fazia o resto.
- Simon? O que houve?
- Eu é que lhe pergunto! O que houve?
- Eu... A Alice ligou e aí não era a Alice e alguém veio! Eu senti! Carmichael! Ele veio...
- Vampiros! – havia muito ódio em sua voz.
- Ele me chamou de rainha. – minha mente acordava aos poucos.
- É claro que ele chamou! – ainda muito ódio na voz.
- Foi estranho, eu não conseguia respirar e aí eu fui caindo e caindo...
Simon não respondeu, sua expressão dizia tudo.
Só então eu me lembrei de perguntar:
- O que você está fazendo aqui? Como sabia que eu...
Simon afastou-se, contrariado.
- Não consigo ficar longe de você. Odeio-me por isso, mas não consigo! Eu sabia que Bill não estava aqui e fiquei por perto. Não confio em deixá-la sozinha e nem aquele imbecil devia confiar, afinal, você tem o dom!
- Dom? Mas que dom? Só se for o dom de me meter em confusão.
- É, você tem este também. – concordou com um meio sorriso na voz. Mas os olhos continuavam carregados de revolta. - Eu senti o vampiro se aproximar, mesmo quando estão longe, eles não me escapam! Eu sabia que era um vampiro.
Ele virou-se em minha direção e eu senti uma coisa estranha no peito, uma pontada de dor, uma vontade de que o tempo, afinal, pudesse voltar para eu recomeçar minha vida. Eu sabia que se não fosse por Bill, jamais me afastaria de Simon. Sabia que seus sentimentos por mim eram verdadeiros. Mas também sabia que ele era um Blackwell e o que este nome significava para minha frágil vida.
- Como assim, mesmo longe?
- Este... Vampiro, ele não estava aqui, ele apenas se projetou. Provavelmente é um demônio muito antigo para conseguir este tipo de coisa.
- Mas eu senti a presença dele! Eu senti que ia morrer, Simon! E eles não são demônios! São só vampiros!
E lá ia eu outra vez com meus argumentos democráticos pra cima de Simon. Ele me ignorou.
- Ele não estava aqui e ele jamais a mataria, assim como nenhum rovdyr ou qualquer outro vampiro o faria, você sabe disso.
- Eu não sei de nada! Não entendo como você chegou aqui, porque Sebastian quer me atormentar, porque Alice não fez nada e...
- O que Sebastian tem com isso? – perguntou, genuinamente assustado.
Eu contei a ele sobre o telefonema e a expressão de Simon se tornou tão apavorante que me encolhi sobre as pernas.
- Não é possível! Não é possível! Eu preciso ir Megan. Você vai ficar bem, Alice está chegando.
E sem mais rodeios ele se foi, aproveitando a entrada de minha amiga.
- Que foi isso? – perguntou Alice sentindo o vento passar por ela.
- Simon saindo.
- E o que Simon estava fazendo aqui? Foi ele que você pressentiu?
- Não. Carmichael. Ele veio falar comigo, ou não veio, só projetou, sei lá!
Alice me olhou de um jeito esquisito.
- Não entendi – disse.
Eu expliquei.
- Rainha? Como assim?
- E eu sei lá! Simon apareceu do nada e me tirou daquele lugar escuro antes que eu pudesse fazer qualquer coisa.
- Que coisa louca! E ainda tem o Logan...
- E ainda tem o Logan... – ecoei.
- Não entendo por que alguém ficaria passando trote nos outros, o que ganha com isso? – perguntou. Deu pra perceber que Alice falava consigo, portanto nem me dei ao luxo de responder.
- Ele é doentio, isso lhe dá prazer. Sempre foi assim – Disse Bill, surgindo pela porta que Alice não fechara.
- Esqueci de dizer que eu o chamei. Foi mal, Megan. – desculpou-se ela.
- Você está bem? Eu vim o mais depressa que pude! Ainda bem que Alice a ajudou. – disse ele me abraçando.
- Simon.
- Simon? Mas Alice me disse que era Sebastian! – os olhos de estrelas faiscavam pra mim com intensidade.
- Não, era o Carmichel! – expliquei.
Bill me encarou e eu devolvi o olhar. Ele virou-se para Alice, em busca de explicações.
- Ela me disse que era o Sebastian! Eu não sabia que o Simon estava aqui!
- O que ele veio fazer aqui?
- Ele veio me salvar, Bill! Me salvar do Carmichael!
- Quem é Carmichael? – perguntou meu pai acendendo as luzes enquanto descia as escadas, seguido por minha mãe.
Meu coração disparou.
- O namorado da Alice – respondi, disparando o primeiro absurdo que me veio à cabeça.
Ela me encarou com olhos arregalados e eu lhe pedi desculpas mentalmente.
- E por que o namorado da Alice estava ameaçando você? – insistiu ele.
- Olá, Bill. – cumprimentou minha mãe, querendo dizer “ que diabos você está fazendo aqui a esta hora da madrugada?”
- Megan? – o olhar que meu me lançou era exatamente igual ao que um saca-rolha lança à garrafa de vinho.
Eu não sabia o que dizer. Em uma única frase afobada conseguira transformar o que já era ruim, em algo muito pior. Olhei para Bill, em busca de auxílio.
- Megan teve um pesadelo e ligou para mim. – improvisou ele.
Eu sabia que Bill podia hipnotizar todo mundo e fazê-los esquecer a história, mas também sabia que ele não faria isso a meus pais, a menos que fosse absolutamente necessário. E pra ser sincera, naquele momento, era absolutamente necessário.
- Megan? – insistiu meu pai.
- Eu tive um sonho horrível com o namorado da Alice e fiquei assustada, aí liguei pro Bill e ele foi buscar a Alice pra eu ver que estava tudo bem. Foi só isso, juro!
Ok, eu acabara de tirar o primeiro lugar no concurso das desculpas imbecis. E meus pais perceberam. Dava para ver em seus rostos que nenhum deles havia engolido aquilo.
- Gina, Fred, está tudo bem. Vocês estão com sono e merecem uma noite repousante, por isso vão voltar para cama agora e dormir profundamente até amanhã de manhã. – disse Bill com aquela voz infernal, transformando os dois em bonequinhos de corda. Eu odiei aquilo, mas que alternativa tínhamos?
- Eles não vão se lembrar disso, vão? – perguntei aflita, enquanto eles subiam a escada.
- Talvez como um sonho. Não mais que isso. E vão dormir o resto da noite, fique tranqüila. Agora, Megan, me explique o que houve. – pediu.
Ele sentou-se a meu lado e me puxou para seu peito, alisando meus cabelos com carinho. As ondas de magnetismo me envolveram e eu relaxei. Com calma expliquei tudo o que havia acontecido.
- Sebastian! – disse Bill. E este foi seu único comentário. Nem uma palavra sobre Simon ou Carmichael, o que cá entre nós era muito estranho.
- Bill, por que Carmichael me chamou de rainha? – perguntei quando percebi que ele não ia dizer mais nada.
- É uma longa história, Megan. Entre nós, quando algum caçador se destaca por bravura ou por habilidade em luta, ele fica conhecido como “rei vermelho”.
- A banda! – exclamei de forma idiota, como se houvesse inventado a roda.
- A banda – ecoou ele. - E como você é minha companheira, ele a chamou de rainha.
- Só isso? – perguntou Alice com voz desconfiada.
Por um segundo seus olhares se encontraram e eu senti que havia mais naquela história. Bill, entretanto, tratou de emendar um assunto no outro e como havia a urgência de nos defendermos de Sebastian, o assunto ficou esquecido.
- Vamos combinar um código para que você me reconheça. E depois você e Alice façam isso entre si. E não contem a ninguém. Sebastian pode facilmente enganar vocês duas e ele vai usar desta vantagem o máximo que puder.
- Mas o que ele ganha com isso? Quer dizer, pra que perder tempo comigo e com Megan se ele pode simplesmente nos matar em um segundo?
- Matar em um segundo não seria divertido pra ele, Alice. Sebastian é doente, faz jogos, cria o caos. É disso que ele se alimenta.
- Ele é um rovdyr psicopata! – exclamou Alice, reafirmando o que todo mundo já sabia.
- Starlight – cochichei no ouvido de Bill, fazendo suas presas descer espontaneamente.
Ele sorriu e Alice fingiu que não havia visto aquilo.
- Nosso código secreto? – perguntou, cheio de fogo no olhar.
- Isso. – respondi incendiada.
- Vou embora. – disse Alice emburrada.
- Não, fique. Eu vou.  – Bill pousou um beijo na minha testa e levantou-se. – Preciso conversar com os outros e nós temos muito que fazer. Megan prometa que vai me chamar se algo acontecer.
- Eu prometo – respondi com sinceridade. Mas é claro que esta era uma promessa que eu não cumpriria.
Bill se foi e Alice me encarou:
- Muito estranho isso. Ele não comentou sobre Simon ou Carmichael. Não sei, não, Megan, mas algo me diz que há mais nesta história toda.
- Eu sei, também senti isso, mas o Bill é assim, fala tudo por capítulos.
Alice me encarou de um jeito esquisito, como se estivesse arquitetando um plano que nem ela mesma compreendia.
- Que foi? – perguntei.
- Nosso código anti-Sebastian. Que tal “a Sarah é uma piranha”? – disse ela sorrindo.
- Que tal “você está ficando vingativa?”
- Perfeito. Eu digo “a Sarah é uma piranha” e você responde “você está ficando vingativa”.
Eu ri.
- Preciso ir embora antes que meu pai acorde.
- Tem certeza? Não quer dormir aqui?
- Pendurada no armário? – brincou.
- Ou sentada na estante da Sarah – respondi.
- Logo vocês vão voltar para sua outra casa, Megan, tenho certeza disso.
Eu apenas sorri, não sabia o que dizer. Voltar para nossa casa era, naquele momento, a última das minhas preocupações.
- Me ligue quando chegar em casa, ok?
Cinco minutos depois o celular tocou e eu ouvi minha amiga, com toda a alegria do mundo, dizer:
- A Sarah é uma piranha.
- Você está ficando vingativa. E isso é sério.
Ela riu e desligou. Meio minuto depois eu estava dormindo, sonhando que os aguras haviam voltado e eu caminhava por uma Red Leaves devastada, onde a única coisa inteira na cidade era, por incrível que pareça, uma estátua de um vampiro alto e assustador. Sobre ela havia uma espécie de alto-falante tocando Blue Skies. 

Em algum ponto da vida, seja a pessoa de que espécie for, chega o momento em que não podemos mais fugir ou adiar as coisas difíceis que precisamos fazer. Com 600 anos de vida eu sabia disso tão bem quanto sei que após o dia vem a noite. Ainda assim, adiava. Não me sentia preparado para jogar os dados além do meu controle. E eu sempre fui controlador, principalmente em relação àquilo que afetava minha existência: Megan.

Talvez fosse pelo passado, pela perda sofrida, pela dor insuportável. Talvez fosse porque sou um grande covarde, afinal de contas. Ou talvez fosse por ser Megan tão absurdamente imprevisível e impulsiva, que antecipar suas reações se tornava impossível. Mas a hora se aproximava e eu não podia perder o compasso do tempo, sob pena de condenar a todos nós.

Ainda assim, eu adiava...

- Simon não perde uma chance, não? – disse Pops chutando para longe um pedaço de madeira antes de sentar-se em frente ao fogo. – Céus, esta casa está um lixo!

- É muito mais do que “não perder uma chance”, ele teme pela vida de Megan.

- E tem bons motivos pra isso. Todos nós temos, não é? – observou Josh.

- Simon a ama, mas acima de tudo ele ama a raça a que pertence. Não fosse isso, ele jamais teria se afastado dela e praticamente a empurrado para os braços de Bill – disse Matt.

- Família de loucos, os Blackwell. Loucos. – ecoou Justin.

- Mas Julia bate todos os outros. Só eu sei a vontade que tenho de torcer aquele seu pescoço branco. O dela e o da irmã! – a voz de Pops saiu baixa e perigosa.

- Eu vou ao Canadá amanhã, vou falar com Daghar. Isso tem que parar.

- Bill, você acha que ele vai ouvi-lo? E mesma que ouça, acha vai acreditar em você? – perguntou Tray.

- Ele vai saber que digo a verdade. Sabe a filha que tem e também sabe que eu não iria procurá-lo com uma intriga. Nós não fazemos isso, eles fazem. Daghar conhece a família que criou.

- E quanto aos vampiros? Temos uma dívida com eles. Cada vez que penso nisso tenho vontade de matar alguém. – disse Josh. – Não confio em Joseph, não mais...

- E eu sinto como se estivéssemos traindo Nick. Nós devíamos estar procurando por ele.

- Nós vamos achá-lo – garanti.

- E quanto à Megan, Bill? Você precisa falar com ela e contar tudo de uma vez. Não é mais como antes, agora Joseph voltou e há Destiny, qualquer um deles pode contar a história inteira. Mesmo Simon pode perder a paciência...

Eu encarei Pops, mas não respondi. Eu sabia que precisava falar com Megan, ela não tinha que me lembrar daquilo! Mas ninguém percebia o que estava em jogo? Ninguém via a minha covardia em tudo que se relacionava a ela? Como dizer o indizível? Eu não tinha planejado nada do que aconteceu.

- E temos a banda... Precisamos cuidar dela. O Red tem que continuar, nós assumimos este compromisso!

- Isso foi antes! – explodi.

- Não, Bill, isso é agora! É pra sempre!

Eu olhei para eles. Não precisava de uma briga por música e carreira naquele momento, eu precisava de um plano!

- Nós não vamos desistir da banda, nós vamos em frente – disse por fim.

- Tem mais um assunto que ninguém mencionou, mas que precisa ser tratado aqui: os aguras. Quem garante que eles não vão voltar? Nós nem sabemos por vieram! E se voltarem, precisaremos nos unir novamente aos vampiros. – disse Matt.

- E aos Blackwell – completou Tray.

Há séculos fazíamos aquelas reuniões sentados ao redor do fogo e por pior que fosse a situação, por mais aflitos ou preocupados que estivéssemos o fato de estarmos junto ao fogo parecia exercer uma magia sobre nós, nos clareando as idéias. Eu sabia que se não tivesse ido procurar por Megan, nada teria acontecido. Mas se eu não a encontrasse, Joseph o teria feito e talvez tudo fosse ainda pior.

- Acho que devemos começar reformando esta casa. Nas condições que estamos não podemos fazer nada – disse Pops. – Isso está uma maloca!

- Assim diz a mulher que vivia no meio do mato, morando em uma caverna – provocou Josh.

- Foi há séculos! Sou sofisticada agora.

- Você é uma caçadora, querida, nenhum de nós é sofisticado aqui – alfinetou Justin.

- Eu concordo com a Pops, estou ficando louco sem minha cozinha. Eu voto a favor da começarmos pela reforma.

- E aí fazemos uma festa vermelha – disse eu, começando a ver um caminho em meio às trevas.

Minhas palavras tiveram o efeito de uma bomba em meus amigos. Todos eles me olharam como se eu estivesse louco. Talvez eu estivesse, mas naquele instante eu sabia que a solução de parte de nossos problemas passava pela festa.

- Você enlouqueceu! Vai fazer uma festa vermelha com vampiros? – perguntou Matt com olhos incrédulos.

- Isso sem falar que vai ter que convencer Megan a participar! – Ela jamais vai concordar com isso, Bill! – disse Pops. – E se eu fosse ela também não concordaria. Eu já não concordo agora!

- É a ocasião perfeita. – continuei, ignorando a conversa ao redor. – Muito luxo, muita ostentação e muito poder. Nós somos os Reis Vermelhos, vamos fazer valer nossa supremacia!

- Jamais pensei que justo você falasse sobre ostentação e poder. Você, Bill? Nós?? A que ponto nós chegamos? – perguntou Tray, me encarando com tanta sinceridade que me foi difícil sustentar seu olhar.

- Ao ponto do desespero – respondi com igual transparência. – Não podemos arriscar nosso futuro por regras do passado, mas vamos nos utilizar delas para garantir que estaremos vivos nos próximos séculos.

- Isso não depende de nós, depende de Megan. Sempre dependeu dela e você sabe disso tão bem quanto qualquer um de nós! Todo mundo sabe menos ela! – explodiu Pops. – E ela não merece isso, Bill. Ela é uma boa menina! Ela é uma de nós, todos nós a amamos!

- Não como eu! Eu não queria que fosse assim, mas foi assim que as coisas se delinearam, foi assim que aconteceu! Como acha que me sinto a cada vez que ela me olha nos olhos, a cada vez que ela diz confiar em mim? Vocês a amam?  Eu a venero, ela é minha vida, ela sempre foi! Eu fiz uma guerra por esta mulher! Eu traí meu melhor amigo por ela! Eu matei, eu destruí, eu virei o mundo do avesso, Pops! Então não venha me falar do que eu posso ou não posso fazer!

Pops me encarou, muito séria,

- Ouça bem, Bill Stone: você pode falar o que quiser, e Deus sabe que tudo o que diz é a mais pura verdade, mas eu lhe digo: ou você conta a verdade à Megan, ou conto eu! Esta menina já morreu mil vezes por você, já passou o inferno por você, ELA MERECE SABER!

Nós dois estávamos em pé naquele momento, nos encarando como feras, as presas expostas, os olhos dilatados, os corpos prontos para o combate. Pops era uma lutadora excepcionalmente forte e rápida, mas eu usava uma arma mais forte: a culpa. Sabia que ela estava certa, que cada palavra dela refletia a opinião do grupo e que eu estava sendo um covarde monstruoso por não contar tudo à Megan. E esta culpa me dava uma força excepcional.

Os outros se levantaram, preparados para nos separar se fosse o caso.

- Sente-se Pops – disse Josh, passando os braços pelos ombros dela. – E você também, Bill. Já temos problemas demais, não precisamos criar mais alguns só para enfeitar a festa.

Pops piscou. Eu pisquei. O momento havia passado.

- Você não ia querer brigar comigo – disse ela com desprezo.

Eu apenas a olhei, com um sorriso nos olhos.

- E a Megan acha que você não gosta dela – disse para quebrar o gelo.

Pops não respondeu.

- Então vamos fazer uma festa vermelha e reformar a casa. – disse Matt, como se nada tivesse acontecido. - E você vai conversar com a Megan e explicar a ela do que isso se trata e porque nós estamos o fazendo, certo, Bill?

- Certo. – respondi com firmeza na voz e tremor no coração.

- Isso resolve a promessa que fizemos aos vampiros. Ainda temos Sebastian, os aguras, Nick e todo o resto.

- Sebastian é um problema gerado pelos Blackwell e por eles será resolvido. Daghar saberá o que fazer. – disse eu.

- Ele fará o que sempre faz: esqueletos, para dentro do armário, já! – suspirou Justin.

- Talvez... E isso não importa desde que o armário esteja bem trancado. Os esqueletos são deles, não nossos. – respondi.

- Fico pensando no que está em jogo aqui. Não consigo imaginar uma festa vermelha com vampiros...

- Eu dei minha palavra, Pops, e vou cumpri-la. Depois disso, a sorte estará lançada.

- Ou a falta dela – respondeu, levantando-se.

Sabia que não era fácil para ela. Tanto peso, tanta dor! O ônus de nossas longas vidas, sempre presente, cobrava constantemente seu quinhão.

Pops nunca tocava no assunto, mas eu sabia que ela ainda nutria sentimentos por Joseph. Não o Joseph do presente, transformado em Hans e casado com Destiny, mas pelo Joseph do passado, aquele cujo coração destruído ela ajudara a colar. E ao colar o dele, colara o seu também. A história de Pops, longa e triste, era a mesma de muitos dos de nossa espécie. Ela casara-se com um humano. Por medo das conseqüências, jamais tivera um filho e, imagino eu, deva ter sido para ela um enorme sacrifício abrir mão da maternidade e manter-se firme ao propósito de deixar que seu marido vivesse seu tempo. E ele viveu. Morreu velho, nos braços daquela que poderia lhe conceder a vida eterna. Quando nós a encontramos, Pops não sorria e quase não falava; viva mergulhada em um oceano de dor e solidão.

Talvez pelo horror de nossa história, talvez porque tenha julgado nossa condenação pior que a dela, aproximou-se de nós, mais especificamente de Joseph. E eles se deram bem. Ela voltou a sorrir, ele parou de lamentar. Aos poucos, conforme os anos passavam, a dor de ambos parecia diminuir. Nós chegamos a pensar que talvez, apenas talvez, houvesse uma salvação para eles. Mas então, como sempre, a pesada mão do passado caiu sobre nós.

Lizandra nos encontrou e destilando seu veneno de forma vil, contou a Joseph sobre meu romance com Rose. Ele se enfureceu, enlouqueceu. Pensei que fosse me matar. Pensei que fosse matar a todos. No auge de seu ódio, e porque, afinal, nossos laços eram fortes assim como a amizade que nos unia, ele decidiu partir sem que nenhum de nós soubesse ou pudesse encontrá-lo.

Quando Joseph se foi, levou com ele as esperanças de Pops, sua alegria e sorrisos espontâneos, deixando no lugar deles o ódio surdo e o desejo de matar Lizandra sob qualquer preço. Durante décadas Pops procurou por Joseph, correndo pelas florestas como louca. Josh uniu-se a ela na busca e nesta época seus sentimentos por ela afloraram. Mas a porta do coração de Pops não mais existia. Ela fechou-se para o amor de forma definitiva e, penso eu, assim ficará até o final de seus dias. Mais uma tragédia, mais um drama na vida dos rovdyrs, abençoados pela natureza e amaldiçoados pelo amor.

- Quando quer fazer a festa, Bill? – perguntou Matt.

- Assim que a casa estiver pronta. Quanto tempo, Pops?

- Uns dez dias, talvez, se vocês, meninas, ajudarem.

- Muito bem, vamos lançar o aviso. Uma coisa de cada vez. E eu vou falar com Daghar. Se nossa estrela nos ajudar e a sorte nos sorrir, isso será o suficiente.

O resto da noite passamos nos pormenores da reforma, da festa, dos planos. Nenhum de nós sentia-se seguro, mas era o que tínhamos e o que era possível naquele momento. Ao final, quando o dia já amanhecia, eu saí rumo ao Canadá. Antes, porém, fui até Strideus para a dose diária do tratamento de Christian e enquanto meu sangue lentamente se transferia para seu organismo, contei a ele que visitaria seu avô.

- Boa sorte – disse ele sem qualquer entusiasmo. E foi assim, sem qualquer entusiasmo, que eu parti rumo ao Canadá.



Bill.


32 comentários:

»☾« Lana Hawk »☾« disse...

OHMYFUCKINGGOD!

Não acredito! Tive uma semana dos infernos com minha filha doente e passei aqui pra matar a saudade de nossos longos mails. De repente me deparo com isso!!

Estou sem palavras!!

Obrigadaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

MARCINHOW disse...

Não vou ler Laura... Pq se eu ler, vou ficar mais desesperado do que já estou pelo ultimo episódio dessa saga incrível!

•*♥*• Sanzinha •*♥*• disse...

Assino embaixo do que o Marcinho disse. Se eu ler, já bate o desespero. Quero o terceiro livrooooooooooo! mimimi

Beijos, querida!

Raissa disse...

Amei a saga! Parabéns ! Quero ler o terceiro tb, qnd sairá?

Geyme Mannes disse...

Nossa, Laurinha, que tudooooooooo!!!! Se os dois primeiros volumes do Red Kings já deixaram esse gostinho de quero mais, o terceiro promete muito!! Estou desde já (na verdade, desde o término da leitura do segundo volume), ansiosíssima pela continuacao. Espero que esta nova obra saia com brevidade, e assim, ter minha curiosidade saciada, e saber por fim, o que está acontecendo!!
Sucessooooooooooo!!!
Beijo gigante!!!!

My stories and my poetry disse...

eu queria sabe quando vai sair o terceiro livro da series crepusculo vermelho ?

Mila Pacheco disse...

Omgood sem palavras simplismente perfeito !!tem data de lançamento pro terceiro livro!!
parabens amei a saga red kings!!!

ah e tenho pena da megam coitada eita montanha russa !!

Sammy disse...

Antes de tudo,parabéns pela saga RED KINGS,amo ler,por semana leio de 4 a 6 livros...e a Saga foi devorada por mim,tive que encomendar uma vez que não moro no brasil...
Estou a espera do terceiro livro,quero presentear meu filho,porem ele so aceita depois da coleção completa,para não ficar esperando..Será lançado antes do natal??Já tem uma data presvita,pois eu teria que encomendar uns 15 dias antes das comemoraçoes natalinas..Para que ele receba...
Espero que outras trilogias,quadrilogias sejam escrita por ti,pois escritores brasileiros com talentos temos aos montes,só precisam ser apreciados e tu tem conseguido...
Beijinhos e mais sucesso e sucesso...
OBS:Que tal batalhar por uma adaptação no cinema,creio que o cinema brasileiro so teria a ganhar com sua trilogia.

monkys disse...

Por favor, estou desesperada pelo terceiro livro, afinal quando sai?
Muito bom mesmo.

monkys disse...

So nao entendi umacoisa: a parte final do segundo livro a Megan entra no carro com a Alice... Mas fora isso, estou louca para ler a continuacao...

Anônimo disse...

oi, pessol adorei lua negra, gostoria de saber se algguem sa quanto sera lançado o terceiro volume. obrigada

tata disse...

amo a laura e os red, mas vou ter um ataque, esse terceiro livro nao e lançado nunca, estou ficando desesperada.

Anônimo disse...

Alguém poderia me responder,se o terceiro livro já foi lançado.
Agradeceria muito se alguém pudesse me responde!

Anônimo disse...

Gente não é possível...preciso muito ler esse terceiro livro! Quando ele vai ser lançado!????? ja estou desesperada caraa =/

Anônimo disse...

Desculpa, mas isso já é um desrespeito com os fãs ja tem mais de um ano pra lançar esse último livro e nada até agora =/ aff......

Elaine Alcântara disse...

alguém pode me dizer quando sera lançado o 3 livro da saga red kings? ou se ja foi lançado quero muito ler!! agradeço desde ja!

Hanri disse...

Mesmo já tendo lido o 2º Livro, gostaria muito de comprar um exemplar... onde posso encontrar?
O 1º comprei em uma banca de jornal fiquei alucinada para ler o 2º até que consegui ler na internet e agora vou ficar alucinda para ler esse 3º @^@

Ligia Madison disse...

Vai ter o terceiro ou não?antes de começar uma série eu sempre pesquiso muito mais to vendo muita gente desesperada pro terceiro que pelo jeito não lança nunca e eu odeio quando fico desesperada,e essa postagem é de 2011 já era pra ter lançado desse jeito não vou nem começar a ler a serie se eu ficar sabendo que ela vai ter final ai eu começo.

Anônimo disse...

QUANDO VAI SAIR O LIVRO? este post é de 2011! sacanagem com os fãs!!!

Geldeliz disse...

alguém pode me dizer quando sera lançado o 3 livro da saga red kings? eu ja estou ficando louca ja lir crepusculo vermelho e lua negra e logico o 1 cap do 3 livro mais de 100 vezes eu to começando a pirar eu odeio ficar tao desesperada quase tomei bomba no meu curso no ano passado por causa deste livro.laura elias pelo amor de deus lança este 3 livro antes que eu morra

Ritt Silva disse...
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Brianna Souza disse...

Não acreditei quando vi a capa do terceiro livro!! Posso dizer com certeza que sou a louca mais apaixonada pela série, mas o Bill que eu imagino é muito mais bonito que o da capa... Enfim estou contando os dias para ler o último livro. Laura vc é incrível

Le Conde disse...
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Fran Moreira disse...

Eu li apenas o segundo livro da saga e perdi o primeiro foi chato não saber como Megan conheceu Bill e Simon, e saber como eles começaram a namorar eu queria muito ler o primeiro livro mais aqui na minha cidade não vende:-( Queria saber mais sobre os Rovdyrs!

Taty disse...

gostaria de adquirir o terceiro livro da saga, mas não estou encontrando, vc pode me informar onde posso conseguir. A história é muito boa, e estou curiosa com o desfecho.

Thaiana Araújo disse...

Eu tenho o 1º livro consegui em uma banca de jornal, mas não consigo achar o 2 eo 3 ja estou desesperada rsr' aguem pode me ajudar onde comprar..

Anônimo disse...

gostaria de adquirir o terceiro livro da saga onde posso encontrar

Anônimo disse...

Gostaria muito de adquirir o terceiro livro da saga mais não encontro nas livrarias podem me disser onde posso encontrar ?

Patricia Dias disse...

O terceiro livro ainda não foi lançado.

Patricia Dias disse...

O terceiro livro ainda não foi lançado.

Unknown disse...

Boa tarde, Laura!
Estou adorando a saga Red Kings, já estou no segundo livro, mas infelizmente não consigo encontrar o terceiro livro para comprar, poderia me dar uma ajudinha?
Aah, parabéns, os livros são lindos, muito bem escritos, impressionante como sua forma de escrever consegue envolver o leitor, estou fascinada
Beijos, Lara Netto

Renata disse...

Eu não consigo achar a rainha vermelha, onde consigo comprar e baixar esse livro.
Obrigado