segunda-feira, 19 de abril de 2010

Madame Bovary

Quando Gustave Flaubert (o bigodudo aí na foto) escreveu  Madame Bovary, creio que ele jamais poderia imaginar o quão atual seu livro seria um século e meio depois.
Emma Bovary, a protagonista, uma mulher que ousou ser maior que seu tempo e desejar mais do que a vida feminina de então aprovava, ainda existe e resiste em pleno século XXI. Ela é a personificação de muitas mulheres cujas almas, insaciadas, as empurram para aventuras e vivências que extrapolam o sossego do lar, a mesmice do casamento, os papéis convencionais de esposa e mãe, já tão desgastados e necessitados de revisão.
Emma é casada com Charles Bovary, um médico do interior de mentalidade pequena e previsível, cegamente apaixonado por ela. Infeliz com o casamento e com a vida, a heroína mergulha no mundo dos romances, em plena era romântica, deixando que sua imaginação a leve por caminhos extravagantes e perigosos.
Perdida entre o sonho da paixão idílica e a realidade que a cerca, acaba tomando não apenas um, mas dois amantes e afundando-se em dívidas. Esta perigosa combinação termina de forma trágica.
O que chama atenção, no entanto, é o quão bem Flaubert navega nas tempestades da alma feminina, que se debate entre seu papel no mundo e sua verdadeira expressão.
O livro é simplesmente magnífico. Os personagens, pessoas comuns de sua época, se revelam aos poucos, de tal forma que quando menos percebemos, os conhecemos por inteiro. E mais, conseguimos associá-los a pessoas com quem convivemos normalmente.
Não é um livro para mocinhas, é um livro para mulheres. Mas é um livro imperdível.
Diferente de Austen - maravilhosa também -, que fez de suas histótias crônicas sarcásticas dos modos de seu tempo, Flaubert vai ao âmago de questões que ainda hoje causam debates e rendem muito em programas de televisão.
Não é de se admirar que o livro tenha causado tanta polêmica e que o autor tenha sido processado, sob a acusação de obscenidade.

Na foto, a atriz Jennifer Jones no Papel de Emma, no filme de Vincente Minnelli, de 1949.

No youtube tem uma versão mais nova do filme, para baixar.
Mesmo assistindo o filme, não deixem de ler o livro, é bom demais!

Fica aí, a dica.

Beijos!

9 comentários:

*Mi§§ §impatia* disse...

Ah eu adoro esse livro, já li 3 x rss
Boa semana, beijos.

Laura Elias disse...

Oi, Miss.
É um livro maravilhoso, né? Cheio de camadas e camadas de entendimento.

Bjão.

O Garoto do Blog. disse...

Oi passei só pra dizer isso pois estou um tanto quanto meio que cheio de sem tempo...nossa intendeu alguma coisa não né nem eu...brincadeira..é que estou muito corrido mesmo muitos problemas mais prometo voltar com mais calma ta.

Beijin..

P.S. Nossos talntos são medidos pelos nossos esforços...

Sinceramente: O garoto do Blog.

Snake Eye's [Hybrida] disse...

Acho que terei que reler esse livro sob o seu ponto de vista, para ver se minha opinião sobre ele melhora, rs.
Gosto de usá-lo de confomação, sabendo que levou 5 anos para ser concluído (assim não me sinto tão lesma XDD).
Bjus!

Laura Elias disse...

Snake! Como assim? Cada processo é um processo, não tem data pra terminar nada, qdo terminar, terminou, uai...rs. Vc me mata de rir.
O livro é fantástico. A linguagem romântica é cansativa pq não estamos acostumados com ela, mas o livro em si, a maneira como ele constrói os personagens, uau!
Emma é o retrato de tantas mulheres que queriam outra coisa da vida e acabam se casando e empacotando dentro de casa...
A maneira como ele descreve os períodos de depressão, as tentativas de recuperação, a diferença entre o que ela sente e a maneira como aje em relação ao marido, caramba! Ele tinha alma de mulher, só pode...
Beijo!

Juliana disse...

estudei esse livro na facul
realmente ele é apaixonante a super atual!

bela dica e resenha!
bjs...

Vanessa Bridges disse...

Livros geralmente são melhores que filmes.
Percebi extamente isso quando assisti Drácula e anos depois quando li o livro de Bram Stoker.
Não troco o livro por nada deste mundo.
Abraços,

Vanessa Bridges (ex-aluna "infelizmente" do Vanderlei)

Laura Elias disse...

Oi, Vanessa, seja bem vinda!
O cinema nunca vai conseguir alcançar os mesmos níveis que um livro alcança, né? cinema é uma experiencia externa, leitura é uma aventura interna de identificação, análise e entendimento.
que legal que vc passou aqui, venha sempre!
Bjo!

Laura Elias disse...

Oi, Juliana,

Que bom que curtiu a resenha. Vc estudou o livro em que curso?
Bjo.