segunda-feira, 23 de maio de 2011

ARCANJO ISABELITO SALUSTIANO E OUTRAS CRÔNICAS – José Claudio Adão.


Tenho grande admiração pelos cronistas, pessoas que captam os absurdos com poesia e conseguem fazer sorrir sem esforço. Há que se ter uma delicadeza de alma, uma sensibilidade sutil para encantar em poucas palavras, fazer rir, gargalhar, chorar. Muito me agradaria possuir tal dom e saber captar detalhes da realidade para transformá-los em curtas viagens, cuja recordação jamais perdemos. E é assim o delicioso livro do José Claudio Adão (Cacá para os conhecidos), pequenas viagens que não esqueceremos em forma de crônicas.
Com base nos “achismos” do filósofo Arcanjo Salustiano, um palpiteiro da rua, José Claudio desfila as minúcias da vida, os absurdos e as idiossincrasias malucas de todos nós, bem à forma mineira: de mansinho, de leve, como quem não quer nada. E neste ritmo suave vai questionando as coisas, rindo delas, desabafando seu inconformismo, seu “desentendimento” da modernidade veloz. José Claudio não é veloz, é humano. Compõe em ritmo de gente, não de máquina, com gosto e maestria.
Ao ler Caso de Amor com as Palavras me peguei pensando em palavras estranhas, um exercício muito bem vindo tanto àqueles para quem dicionário é igual a palavrão, quanto aos que se divertem com ele. Em T.O.C, T.O.C, T.O.C, fui procurar minhas manias e encontrei várias.
Até que a Morte os Una parece ter sido feito com base no “gente diferenciada” de Higienópolis (não foi, mas poderia ter sido); em Tempos Mais que Modernos a departamentalização da vida em forma de profissão me fez gargalhar; as definições do Arcanjo Salustiano em Bêbados me lembrou (e com toda certeza deste mundo, lembrará a você também) várias pessoas que conheço e Diálogos Modernos – Telefone Preto, me fez voltar à infância e à casa de minha avó, cujo telefone era exatamente igual ao do texto. Matei saudades, enchia alma de coisa boa.
Com Sono ROM viajei novamente no tempo, lembrando-me de um vizinho cujo sono ROM ouvia-se da rua e em Teatro me identifiquei com o autor por ter passado experiência semelhante.
Há mais, muito mais, do que eu posso dizer aqui, porque assim são as crônicas, falam diretamente ao coração de quem as lê e eu recomendo que você leia e deguste página por página, com calma para dar tempo às palavras para penetrarem seu coração.  

RECOMENDADO para os poetas no coração.

Para saber mais sobre o Zé Claudio, clique a seguir:
Blog do Autor

Beijos.

4 comentários:

Cacá - José Cláudio disse...

Laura, fiquei deveras emocionado com sua resenha. OBRIGADO. OBRIGADO, OBRIGADO!
Um abraço grande. Paz e bem

Geyme Lechner disse...

Nossa, Laurix, vc conseguiu exprimir, extrair, dilatar, com muita propriedade o livro do Cacá. Os sentimentos que vc descreveu aqui, tb os senti! Tem várias cronicas deliciosas, e eu mesma as citei em minha resenha, (mas essa sobre os "bebados"), enquanto vc lembrou de alguns amigos, eu lembrei de mim mesma, huauauaua
Eita Arcanjo bisbilhoteiro...

Laura Elias disse...

Cacá, eu amei o livro, vc não faz idéia! Um prazer lê-lo.

Bjo

Laura Elias disse...

Oi, Geyme, viajei com o livro, vc nem faz idéia. Adorei o "pois sim" e "pois não" e toda as maluquices das quais o Cacá consegue extrair graça.

Beijo!